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Um dia faço um blog

Comentários que merecem resposta #3

Olá, minha boa gente.

Devo começar pelas cordialidades do costume, até porque este par de meses em que não meti cá os pés assim o exige. 

Espero portanto encontrar-vos a todos de boa saúde, felizes da vida porque já é primavera e alegres com a chegada do ansiado fim de semana. 

Parece estar tudo mais ou menos igual, pelo menos no que diz respeito ao movimento blogosférico que tão pouco tenho acompanhado. 

Hoje quis o universo que a minha hora de almoço fosse dedicada a espreitar este espaço que parece ter sido deixado ao abandono, ler os vossos comentários, espreitar um ou outro post de uma ou outra blogger e enfim, escrever-vos para vos falar qualquer coisinha. Vejo que continuam a frequentar o blogue, o que não deixa de ser positivo, vejo também que ontem alguém chegou aqui através da busca "quando se falha em tudo na vida". Espero que tenha encontrado resposta em algum dos meus posts pouco sérios e tão dedicados a dissertações quase ao nível do Gustavo Santos. 

Entre os milhares de comentários (cof cof cof) que tinha por aprovar, um deles destacou-se. Fez o meu coração fervilhar numa vontade imensa de lhe responder. Nos entretantos dei uma vista de olhos à minha caixa de email, sendo que também recebi algumas questões semelhantes, pelo que decidi tentar acalmar estas mentes saltitantes e responder na primeira pessoa. 

O nosso comentador (sim nosso, que sinto que já temos intimidade suficiente para isso) diz o seguinte:

" Mas para que raio queres o blog? Nao escreves um post à meses ! "

 

Há que admitir que é uma pergunta pertinente. Ignorando aquele erro ortográfico, poderia mesmo dizer que é uma pergunta, seguida de uma afirmação, que até faz algum sentido. 

(Momento em que quem não viu o erro na frase logo na primeira leitura pára TUDO o que está a fazer e entra aqui. Depois não digam que não sou vossa amiga.) 

 

Estava eu a dizer que a pessoa em questão tem razão. De facto não escrevo um post há mais de dois meses. Para ser absolutamente sincera, não tenho publicado nada porque não me tem apetecido. Sim, é chocante mas é verdade. Parece quase impossível alguém que tenha um blogue passar um longo tempo sem ter vontade de escrever uma palavra (pelo menos que fique pública aos olhos de todos) mas eu, completamente sem vergonha, admito. Pior do que não ter vontade de escrever é mesmo admiti-lo. Venham daí os chicotes, eu sei que parece quase impossível. Afinal de contas, quem tem um blogue até pode passar um tempinho sem o alimentar, mas pelo menos que diga que é porque esteve muito ocupada, que o gato esteve doente, que apanhou o marido na cama com outra ou então (esta é a melhor) que esteve envolvida em imensos projetos novos e que por isso não deu mesmo para escrever.

Enfim, eu confesso mesmo que não me tem apetecido. Por motivos vários, sobre os quais não vale a pena estar a falar agora. 

Respondendo à pergunta, afinal de contas era esse o objetivo desse post, até porque para quem não tinha vontade de escrever já me estou a alongar muito: quero o blogue porque é algo meu, um espaço onde já dediquei muito tempo, onde já escrevi sobre tanta coisa e onde gosto sempre de voltar. Sim, porque eu gosto mesmo disto. Parece que não, uma vez que pouco ou nada cá tenho vindo, mas gosto. Gosto de deixar a porta aberta e voltar quando me apetece. E por vezes apetece, não pensem que não. Posso voltar daqui a uma hora, ou então só daqui a alguns meses. Mas algum dia acabo sempre por voltar. Volto sempre aos sítios onde me sinto bem e quem diria que um espaço virtual me podia fazer sentir tão bem. Escrevo porque gosto e quando quero. Quando me dá na gana. 

Compreendo o sentimento de seguir um blogue e de um dia para o outro a pessoa deixar de postar. É uma chatice, é verdade. Mas acreditem que se viesse cá debitar meia dúzia de coisas só porque sim, só porque quero manter um ou outro seguidor, só porque parece mal que isto não tivesse algum movimento, não iria ser a mesma coisa. 

Esclarecimentos feitos, vou indo que já se faz tarde. Gostei desta visita, mais ou menos breve, mas certamente com retorno. 

Seja quando for, eu volto. Volto sempre. Mais não seja para vos informar que continuo por aqui, mais ou menos em silêncio, mas que continuo a acompanhar-vos dentro do possível.

Até já!

Esperem sentados.

"Que cases. Que te juntes numa cerimónia branca e imaculada, rodeada de família e amigos. Que tenhas filhos depois. Só depois. Esperam de ti, mulher, que saibas, no mínimo, estrelar ovos e que gostes de homens. Mas que sejas fiel. Ordeira e arrumada. Limpa e asseada. E que dês de mamar. Que sejas incansável na função de mãe, sem lágrimas ou dúvidas. Mãe que é mãe nunca se arrepende de nada. Nem de os ter. Nem do que faz. Nunca questiona os conselhos dos mais velhos.

Esperam de ti isso e mais. Que qualquer sensação de fraqueza é para erradicar do peito e da cabeça. Esperam que se te dizem que deves dar peito até aos dois anos, é para cumprir. Que se não sentes qualquer gozo nisso, és menos mãe. Menos capaz. Menos mulher. Esperam de ti um parto normal. Gaja que é gaja, tem parto vaginal. As outras são umas “meninas”. Esperam de ti a boçalidade da pré-história.

Esperam que tenhas os filhos sempre limpos e que lhes dês banho todos os dias após uma refeição sem fritos ou salsichas. Esperam que a roupa do homem com quem casas, porque é suposto gostares de homens, esteja passada a ferro. Que se não podes, contrata alguém.

Esperam que não haja vincos na tua camisola quando vais trabalhar todos os dias nem nódoas de ranho ou papa. Esperam que tires um curso. Que sejas “alguma coisa” mas que consigas ter a casa num brinco, sem pingo de pó ou brinquedos fora do sítio.

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Esperam isso. Esperam mais. Que nunca adormeças maquilhada porque sujas a fronha da almofada. E que não te separes. Aguenta. É suposto aguentares porque tudo dá trabalho na vida. Por isso, é suposto esforçares-te. Pelos filhos. Por ti, não. Não carece. Por ti, não. E pela imagem. A imagem. E o que gastaram naquele casamento sumptuoso! Não. Aguenta, se faz favor. Pelos teus pais e pelos teus filhos. Esmera-te. É capaz de ser culpa tua.

Esperam isso de ti. E não convém falhares. Esperam que tenhas sempre a louça na máquina e a roupa estendida. Que a cama esteja sempre feita. Todos os dias. Esperam de ti pouco rasgo. Se pensares demasiado, vais questionar demasiado. Ser curiosa ainda vá. Reflectir é evitável. Não esperam que sejas uma grande intelectual ou que fumes charutos ou que gostes de brandy. Vais beber licor de café ou vinho do porto e fumar qualquer coisa com sabor a mentol. Esperam de ti a dignidade. Que aceites o assédio como um galanteio. Esperam que uses saltos altos todos os dias e que uses um perfume que enche o elevador. Esperam que sejas isto. E mais. Só não esperam que sejas feliz."

 

Texto absolutamente bem escrito por Rita Marrafa de Carvalho.

Oxalá alguém soubesse.

Disseste que vinhas jantar. E eu fiquei à tua espera. Sentada nesta cadeira de madeira cor de tijolo, olhando para o copo de vinho meio vazio. Fiquei assim algum tempo. Horas talvez. Sim, certamente que foram muitas horas. Horas vazias em que a mente apagada me impedia de pensar noutra coisa além do desconforto daquela cadeira e no sabor amargo da garrafa de vinho que já ia a meio. Prometemos guardá-la para um dia especial, lembraste?
Disseste que vinhas jantar. E eu preparei o teu prato favorito. Apesar de ser o meu dia, eu preparei tudo como se fosse o teu. Comprei flores para o centro da mesa. Sempre te disse que adorava flores mas que apenas as queria receber em dias especiais. Nunca as recebi. Hoje comprei-as, de mim para mim. São tulipas, meu amor. Tulipas brancas. As minhas favoritas, apesar de não o saberes. Dizem que simbolizam o perdão.
Comprei um vestido da mesma cor do vestido que usei na nossa primeira noite, cor de pérola, delicado como se fosse de seda. Não é demasiado curto. Sei que não gostas. Gostas que os use em ocasiões especiais. Tal como a garrafa de vinho que seria aberta numa ocasião especial. Quis que fosse hoje.
Pela minha mente vagueiam agora pensamentos aleatórios que surgem quando olho para cada detalhe da sala despida de personalidade. Nada naquele espaço me faz lembrar da pessoa que fui um dia. Apenas tu. Tu preenches aquela casa que sempre foi apenas tua. Tu, em cada canto para que olho. Apenas tu. Aquela casa eras tu. Tu. Só tu. A tua cor favorita em todas as paredes, o teu cheiro que se foi alterando ao longo dos anos e que hoje sinto melhor que nunca. Cheiro forte, denso, insuportável.
O copo está agora vazio. A garrafa também. Assim como a minha alma.
Tento agora recordar-me da última vez que fui feliz contigo. Não me lembro. Agora não estava sóbria. Estava ali, sentada na cadeira de madeira cor de tijolo, a olhar para a parede vazia, agarrando o copo agora vazio daquele vinho forte. Continuo a esperar-te. Continuo a esperar que algo me fizesse lembrar de rasgos de momentos felizes. Não resultou.
O jantar há muito que ficou frio. São agora 4h30 da manhã e oiço a porta a abrir. Eras tu. Finalmente tu.
O teu cheiro a álcool emanava ao primeiro segundo em que entraste. Hoje não tinha medo. Afinal de contas, hoje era um dia especial.
Avançaste pesadamente para a sala e proferiste algumas palavras das quais não me recordo na íntegra.

 

A tua mãe deixou-te este bilhete.

 

Disseste tu, tão secamente que mal consegui compreender.
Naquele momento, sem como nem porquê, lembrei-me que não via a minha mãe há meses. Não me recordo há quantos. Na verdade, o tempo parece ter deixado de fazer sentido.
Naquele momento, sem como nem porquê, percebi a podridão de homem que estava ao meu lado.
Talvez os sucessivos meios copos que fui bebendo ao longo da noite tenham ajudado a dizer-te que queria ir embora. Agora. Que não te suportava mais. Que o vestido cor de pérola me ficava mal porque não escondia todas as marcas da tua violência atroz. Que o teu cheiro a álcool e a prostitutas baratas me enojava. Que eu merecia mais. Que me havia esquecido de quem tinha sido um dia. Que me apagaste enquanto mulher. Que me tiraste tudo. Que a minha vida não fazia sentido. Que não te amava. Que me tinha entregue à monotonia e ao medo de te deixar. Que as tulipas brancas deviam ter sido oferecidas por ti. Que o jantar devia ter sido num restaurante, à luz das velas, enquanto desfrutávamos do meu prato favorito. Que o vinho seria aberto ao final da noite, pelo dois, antes de fazermos amor. Amor. Que devia ter-me sentido amada. Que não me lembrava da última vez que me tinha sentido amada. Que ia embora, de vez. Agora.
A tua voz rouca interrompeu-me para me relembrar aquilo que todos os dias me dizias. Que era tua. Apenas tua. A tua mão pesada estava agora a apertar-me o pescoço. Não conseguia respirar. Só pedia que terminasse. Que me soltasses. Que me deixasses ir. Sabia que aquele seria o nosso fim. Soube-o no momento em que me sentei naquela cadeira de madeira cor de tijolo com um vinho que esperava ser aberto há cinco anos.
E foi. Foi o fim. O meu fim. A minha vida terminara nos teus braços, envolvida no teu cheiro a água de colónia barata misturada com o odor de álcool e tabaco, depois de te implorar que me deixasses viver.

 

Feliz aniversáio, filha. 25 anos e uma vida pela frente.

 

Dizia o bilhete da minha mãe. Oxalá ela soubesse.

 

*TEXTO DA MINHA AUTORIA*

Coisas de mulheres (ou então não)

Odeio de morte pintar as unhas.

Detesto andar horas em centros comerciais e experimentar todos os 520 pares de sapatos da Zara.

Sou louca por sapatos rasos, quase choro quando me metem saltos à frente.

Não tenho medo de aranhas e a minha cor favorita não é o rosa.
Não trato ninguém por "querida" e estar duas horas num cabeleireiro não é de todo das minhas atividades favoritas.
Quando era miúda não gostava de barbies. 
Quando digo que estou gorda, é porque estou mesmo.
De manhã demoro mais tempo a sair da cama do que a maquilhar-me e vestir-me.
Não entro em vias de um ataque cardíaco quando uma mulher está numa festa com um vestido igual ao meu.
Às vezes aparecem-me borbulhas. Apesar de não ser frequente, algumas são consideravelmente vistosas e nunca considerei deixar de sair de casa por causa disso.
As minhas amigas não ficam bem em todas as fotografias que metem no facebook.
Apesar de ser muito sensível, nunca chorei num filme romântico.
Algumas mulheres não gostam de mim. E nem todas têm inveja, simplesmente não gostam. Ah, e não...não são umas putas por isso.
E, o pior do que isto tudo, não acho que os homens sejam todos iguais.
 
Posto isto, mulherada...posso continuar a fazer parte desta espécie?

Ando aqui num dilema desgraçado.

Gosto bastante do ginásio que frequento. Tem um bom espaço, bom ambiente, excelentes aulas de grupo, óptimos profissionais e fica muito perto de minha casa.

Pago aproximadamente quarenta euros por mês e tenho acesso ilimitado a todos os espaços e a qualquer hora. A saber: piscina, zona spa com óptimas condições, sala de fitness com máquinas e todo o tipo de apetrechos mais que suficientes para realizar um treino diversificado e completo, parque de estacionamento gratuito para utente e aulas de grupo dinâmicas e divertidas. Além disso não tem período de fidelização, pelo que se quiser desistir a qualquer altura não estou presa a um contrato de 12 meses. 

Ora, tudo muito bonito, eis senão quando consulto a minha conta e vejo que foram retiradas TRÊS mensalidades num período de sete dias do mesmo mês.

O pagamento das mensalidades é sempre feito por débito direto. Recordo-me que quando me inscrevi torci um bocado o nariz. Confesso que não sou fã que mãos alheias mexam na minha conta. Perguntei se era possível realizar o pagamento todos os meses no balcão, pelo que me foi respondido que não. Acedi e inscrevi-me. Afinal de contas, todos os outros ginásios que frequentei funcionavam da mesma forma e nunca tinha tido problema algum. 

Parece que este ginásio em questão teve problemas com a entidade bancária, sendo que tiveram três meses seguidos sem retirar as mensalidades aos utentes. Depois do problema do banco estar resolvido: pumba! Toca de sacar 120 euros da conta do pessoal, tudo no mesmo mês. Se são como eu, e não consultam frequentemente o extrato da vossa conta, aviso-vos desde já que estão a cometer um grande erro. Que dor, meus amigos, que dor. 

Estou muito chateada com isto, digo-vos francamente. O meu ginásio do coração, fofinho que só ele, nem se dignou a enviar um email ou a fazer um telefonema a avisar que iriam dar um tombo no orçamento dos tantos utentes que, tal como eu, não estavam a contar com 120 euros a menos na conta logo depois da época natalícia.

Fico chateada, claro que fico chateada. A minha vontade é sair de lá e não olhar mais para trás. Mas bolas, eu não queria. Por outro lado estou absolutamente chateada. Acho um abuso de confiança, nem sei sequer se é legal e considero uma falta de respeito para com os utentes que frequentam aquele espaço e que confiaram os seus dados bancários para serem retirados quarenta euros mensais. 

Vamos lá ver: não é que não achasse que eles teriam que retirar o dinheiro. Mas porra, deviam avisar as pessoas, não? Falar com elas e, sei lá, perguntar-lhes qual a melhor forma de realizar o abate de três mensalidades . Questionar se seria conveniente invadirem as suas contas para, em sete dias, retirarem 120 euros. Ou, melhor ainda, terem avisado que estavam com problemas bancários, pelo que não seria possível retirar as mensalidades durante alguns meses. Enfim, lamentável.

Agora olhem, estou para aqui sentada, com a mala do ginásio ali à espera de ser preparada para ir treinar uma horita, sem saber se será a última vez. 

Que fariam vocês, meus ilustres leitores? Mandavam o ginásio aos alhos e procurariam outros, ou perdoariam este erro fatal que me deixou a espumar de fúria?