Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Um dia faço um blog

Aqui me confesso: detesto transportes públicos.

Sim, detesto transportes públicos. Nunca escondi isso. Evito ao máximo.

Desde que vim morar para Lisboa é muito comum utilizá-los, mas detesto.

Tenho amigos e amigas que adoram. Dizem que, além de ser muito mais económico é muito mais cómodo. Oi? Ok, económico eu talvez consiga entender, mas cómodo?

O que tem de cómodo aquele impasse antes do comboio ou metro parar? Aquele momento em que as pessoas, nada civilizadas por sinal, desatam aos empurrões para conseguirem o belo do lugar à janela?

O que tem de cómodo as viagens em que não há lugar e que, por isso, temos que ir em pé? Aquela bonita imagem das pessoas em pé, agarradas ao poste. Depois há sempre aquele sujeito que se decide encostar ao poste, retirando a possibilidade das pessoas se agarrarem a algo palpável para não irem parar ao colo do passageiro da frente quando a carruagem pára (quase sempre de forma nada meiga).

E o bom que é aquele momento constrangedor em que estamos em pé, agarrados ao dito poste, e o indivíduo ao nosso lado decide exibir o seu odor corporal ,característico de quem é anti-desodorizante, levantando o seu braçinho e quase sempre tocando com o chamado sovaco na cabeça da pobre coitada que tem 1,50m e que por acaso está lá ao lado?

Melhor: E aquelas pessoas que levam a marmita para os transportes e decidem fazer um piquenique à nossa frente? Das duas uma: ou estamos com tanta fome que temos vontade de, sorrateiramente, roubar aquela sandes de presunto, ou então o cheiro enjoa-nos de tal forma que tentamos mudar de lugar.

Depois há outras questões. Posso dizer que perdi parte da fé que tinha na humanidade nos transportes públicos.

Começando pela questão das prioridades. Adoro ver quando chega a grávida, com típica barriga de quem está prestes a trazer o seu rebento ao mundo, e as pessoas ignoram. Simplesmente ignoram, viram a cara, fingem que ela não está ali. Tudo porque não estão na disponibilidade de oferecer o seu lugar. E depois, quando a grávida pede o lugar a alguém, é amoroso como a pessoa se mostra extremamente impressionada como se não tivesse reparado na barriga ambulante mesmo ao seu lado em pé. "O quê? A senhora, grávida de para aí uns 8 meses, estava mesmo aqui ao meu lado? Veja lá que nem a vi" Quase que dá vontade de rir. Porque uma pessoa que está quase a parir mal se vê. O mesmo equivale para os idosos.

Por último, e não menos digno de tal postagem, que bom que é ter que ouvir a música do passageiro do lado? Aquele adorador de kizomba e que gosta tanto da sua música que decide partilhá-la com toda a carruagem?

Já disse que detesto transportes públicos, certo? Pronto. Só para que não restem dúvidas.

 

 

4 comentários

Comentar post