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Um dia faço um blog

Eu espero.

Então eu espero.

Espero pela paz que prometeram não tardar. Espero pelo caminho que disseram ser agora mais claro e fácil. 

Espero que não me encontrem. Não agora. Não assim. 

Espero conseguir guardar as palavras para mim. Por uma vez. 

Guardo o coração no bolso e sigo. 

Elogiam-me a força e a coragem. 

Sorrio e agradeço. 

Continuo a esperar que não me encontrem.

Recuso, educadamente, a pressa que todos parecem ter em mostrar-me novos caminhos. Finjo que os sigo. Espero que não percebam que volto constantemente ao sítio onde comecei.

Peço que não se aproximem. Que me deixem estar. Eu não tenho pressa.

Talvez me assuste a possibilidade de voltar a sentir-me em paz.

Talvez me assustem as pessoas que insistem em ficar. Porque é que ficam? Não se aproximem.

Irrita-me a maneira como me tentam decifrar. 

Eu não quero que me oiçam porque não sabem escutar sem julgar.

Não quero que me vejam frágil porque rapidamente se desacreditam da minha força.

Não quero que me tentem amar para além do amor porque vão encontrar um coração dividido e incapaz.

Eu voltarei sempre ao ponto de partida quantas vezes forem possíveis. Talvez porque lá me ouvem sem me julgar. Talvez porque é a única maneira que tenho de me mostrar frágil sem comprometer a minha força. Talvez porque o meu coração continue lá. Talvez seja um caminho que me rouba a paz mas que me dá conforto. Talvez seja o único caminho onde me foi permitido seguir os meus próprios passos. Talvez porque continuo sem pressa. 

Deixem-me esperar.