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Um dia faço um blog

O dia em que passei a estar proibida de entrar numa papelaria.

Vou começar pelo princípio: quantos de vós já chegaram ao ponto de acumular um número significativo de moedas de menor valor (1/2 e 5 cêntimos) na carteira? Acho que é transversal a todos nós que lidamos diariamente com dinheiro, certo? Eu própria já cheguei ao ponto de ter um recipiente em casa apenas com as chamadas moedinhas pretas.

Ora, a semana passada dirigi-me a uma papelaria perto de minha casa . Para ser assim totalmente sincera, o meu principal objectivo era livrar-me das moedas que tinha na altura na carteira.

Portanto, após a nossa chegada à papelaria pedimos uma raspadinha de 1€. Meia volta gosto de comprar raspadinhas. Nunca recebi grandes quantias mas gosto da possibilidade de apostar um euro ou dois e sair de lá com um dinheirinho a mais.

Bom, como eu estava a dizer, pedi a tal raspadinha de 1€. Já com a ideia de me livrar das moedinhas, saquei da carteira e comecei a contar. Resultado: duas moedas de 0,20€ ; uma moeda de 0,10€ e os restantes 0,50€ em moedinhas pequenas. Porém não pensem já que eram muitas moedas. Até porque os tais 0,50€ em moedas pequeninas eram maioritariamente de 0,05€.

 

Daí desenrolou-se a seguinte conversa:

Funcionária: Não vou aceitar esse dinheiro. (tom rude e com voz de poucos amigos)

Eu: Porquê?

Funcionária: Porque não quero. Já tenho muitas moedas pretas. (a puxar já a arrogância)

Eu: Mas estas moedas também são dinheiro - dizíamos nós, tentando convence-la.

Funcionária: Já vos disse que não. (cada vez mostrando-se mais irritada e antipática)

Eu: Ok, nesse caso quero o livro de reclamações.

 

Senhores, o que eu fui dizer. Juro-vos, a mulher virou fera! Disse-nos que não tinha livro de reclamações, gritou que não nos queria atender e que não nos ia vender coisa nenhuma.

Informei-a que ela era obrigada a ter livro de reclamações . É obvio que ela sabia isso. E também é óbvio que tinha lá o livro, simplesmente recusou-se a dá-lo.

Ora, segundo consta, quando se recusam a facultar o livro de reclamações, e visto ser um direito do cliente, somos aconselhados a chamar a polícia.

A pessoa que estava comigo começou então a retirar o telemóvel para contactar as autoridades.

 

Funcionária: Pronto, dê cá isso. (note-se que isso eram as minhas moedinhas, que aparentemente não tinham valor algum, coitadas).

Obviamente que aceitou vender a raspadinha e recolheu as moedas porque estava com receio de ter problemas. No entanto manteve a sua postura completamente antipática e nada profissional.

 

Enfim, mas aparentemente tudo tinha acabado mais ou menos bem. Raspadinha comprada, moedas despachadas e pronto, um beijo e um queijo e ala que se faz tarde.

Mas não...

Já estávamos a começar a sair da papelaria quando a senhora se dirige a mim novamente:

- Olhe menina, arrogância aqui é que não. (disse ela, visivelmente enervada e num tom de voz agressivo e, mais uma vez, com uma antipatia extrema).

- Desculpe?!

- Sim, isso mesmo. E não te estejas a rir!  (reparem como já chegámos à fase em que sou tratada por "tu")

- Eu não fui arrogante, a senhora é que está a enervar-se sem necessidade.

- Sim, foste arrogante e muito mal criada. E eu não admito isso aqui por isso agradeço que não voltem, não são bem vindos a este estabelecimento.

 

Já estava prontíssima a exigir o livro de reclamações. Afinal de contas, que tipo de funcionária tem um nível de respeito tão rasca pelo cliente? A pessoa que estava comigo impediu-me de o fazer porque dizia que não valia a pena arranjar mais confusão. Confesso que fiquei arrependida, até porque julgo que não só era um direito que me assiste, como um dever.

Com isto, fiquei proibida de lá entrar. Aliás, isto é o que ela diz. Não sei se de facto se pode aplicar em termos legais. Entretanto vou respirar fundo para não voltar a ir lá e, desta vez, pagar tudo com as moedas que ela tanto abomina.

 

Ah, e a raspadinha? Não ganhamos nada, uma pena...seria delicioso ir lá levantar o prémio.

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