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Um dia faço um blog

Os meus vizinhos de cima.

Não sou de Lisboa. Sou ribatejana de gema. Vim para Lisboa para tirar um curso, e estou cá a morar há 3 aninhos.

Oiço muitas pessoas a comentarem o que mais custou nas mudanças do local de residência para um sítio diferente, como foi o meu caso.

O mais comum é ouvir dizer que é uma grande chatice ter que cozinhar. A comidinha da mãe é top e a massa com atum que fazemos é muito rasca para ser comparada aos petiscos familiares.

Depois é claro que outra questão é a independência, bem como a carteira frequentemente vazia. Quantas pessoas ouvimos queixar que outra das chatices é que sair directamente de casa dos pais para uma cidade diferente implica sempre menos dinheiro no bolso?

E depois há sempre outros problemas como dificuldade de adaptação, por exemplo.

Ora, eu vou-vos contar qual é o meu GRANDE problema com a minha mudança para Lisboa e que persiste há 3 anos: os meus VIZINHOS de cima.

Tenho uma leve esperança que eles possam um dia vir a ler este post e coloquem a mão na consciência, por isso aqui vai:

Nunca morei numa cidade grande como Lisboa. Como tal, nunca tive vizinhos de cima. Até porque não morava num apartamento. Agora moro. Moro num agradável rés-do-chão esquerdo, ou apartamento infernal se preferirem.

Os meus vizinhos de cima são uns amores, a sério.

Começo pelas crianças:  são duas, um menino e uma menina. O menino é uma jóia. Berra noite e dia, como se o mundo estivesse prestes a acabar ou como se tivesse entupido de cócó até às orelhas. A menina é também um doce. Provavelmente é a pior aluna da sua turma a música mas não lhe podemos tirar o mérito porque esforça-se bastante. Toca flauta quase diariamente. Uma promessa da música, esta pequena. Agora imaginem a minha vida quando estas duas relíquias se lembram de fazer ao mesmo tempo o que melhor sabem. Resulta numa incrível melodia de bébé a berrar ao som da música desafinada da irmã. Já pensei que isto poderia ter relação. Ou seja, a irmã toca flauta e o puto fica tão farto que chora. Ou vice-versa.  Seja como for não é agradável.

A mulher da casa: sinceramente nunca a vi. Nunca me cruzei com ela. Acho que ela passa o dia em casa e deve ter daquelas doenças maradas que a inibe de vir à rua apanhar um solzinho na mioleira. Sinceramente acho que é disso que ela precisa. Primeiro passa o dia de saltos altos. E anda que se farta. Já me perguntei como é possível uma pessoa andar 12 horas por dia de um lado para o outro num apartamento em cima de uns saltos. Admiro-a, deve ter umas pernocas em forma pelos quilómetros que deve fazer diariamente de um lado para o outro no seu maravilhoso lar. Maravilhoso é também o som do saltos. Aquele toc toc toc durante todo o dia é algo que já entrou de tal modo na minha cabeça que quando estou na rua juro que estou a ouvi-la a correr da sala para a cozinha, e da cozinha para a sala. Reza a lenda que há uns tempos uma das minhas vizinhas foi lá bater-lhe à porta e ofereceu-lhe gentilmente umas pantufas. Não resultou, obviamente.

O homem da casa: Este é o que costumo ver mais vezes. É jovem, bem aparentado. Anda sempre apressado e é um carpinteiro de primeira categoria. Ou pelo menos deveria ser, que farta-se de furar paredes. E depois escolhe sempre alturas nocturnas para andar com o berbequim a fazer barulho ou então a mandar cadeiras contra a parede.

A família no geral:  Adoráveis, como puderam entender. Discutem hora sim, hora não. Ou se não discutem então gritam nomes carinhosos uns aos outros. As actividades sexuais do casal também são assunto que todo o prédio conhece quase tão bem como se estivesse a assistir. Adoram falar ao telefone, pela quantidade de vezes que este toca às 3h da manhã. Têm ainda qualquer problema com cadeiras, mesas e mobílias no geral, visto que de 10 em 10 minutos há sempre qualquer coisa a ranger.

 

Aproveito ainda para dizer que já lá fui um dia dizer-lhes amigavelmente que faziam muito barulho e que talvez pudessem ter a gentileza de ter um pouco mais de cuidado. Não resultou. O meu próximo passo é arranjar-lhes um bilhete familiar para um cruzeiro qualquer xpto. Um bilhete só de ida, obviamente.

 

 

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