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Um dia faço um blog

Se não for para sempre...

Podemos até nem casar. Podemos não ter filhos nem uma casa com piscina.

Podemos não chegar conhecer os pais um do outro nem partilhar o mesmo círculo de amigos.

É possível até que nos deixemos de falar e que o nosso olhar não se cruze mais.

Aí, se isso acontecer, talvez esqueças a minha maneira de falar. Talvez esqueças a cor dos meus olhos e as músicas que ouvíamos juntos.

Ou então, também podemos fazer juras eternas de amor no altar. E talvez divorciar algum tempo depois.

Podemos cansar-nos um do outro e recusar a partilhar o mesmo espaço.

Podemos conhecer alguém. Alguém melhor, pensaremos nós. Alguém diferente.

Podemos seguir o nosso caminho. Cada um o seu.

Talvez acabe por me esquecer da tua gargalhada espontânea e do teu jeito engraçado de falar quando acordas.

Talvez, quem sabe, acabe por deixar de ver qualidades nos teus defeitos.

Tentaremos, provavelmente, esquecer a voz um do outro e as viagens que fizemos. Tentaremos, caso a vida siga rumos diferentes, apagar da memória as confissões que trocámos um com outro e as promessas. É possível que as promessas que fizemos se quebrem. Não devia ser assim. Espero que não aconteça. Mas se acontecer, tentaremos esquecer-nos, como se isso fosse possível, que um dia acreditámos que seria eterno.

Talvez não seja eterno. E talvez a nossa vida evolua de maneira diferente. Eu espero que não. Mas se acontecer, se nos esquecermos o quanto um dia fomos felizes, ninguém nos pode tirar o que já vivemos.

Mesmo que te esqueças, e mesmo que eu também acabe por esquecer, nada apagará as noites infinitas de conversas nem os momentos em que partilhámos os detalhes mais íntimos daquilo que somos.

Podemos esquecer-nos dos passeios fora de horas, e dos beijos dados na hora certa.

Podemos até não nos lembrar dos planos que fizemos e do tanto que fizemos força para que tudo resultasse.

No entanto, e mesmo que a memória nos falhe, ficará a certeza que um dia fomos muito felizes.

Se todos os detalhes forem esquecidos, ficará a certeza de que a felicidade passou por nós. Mesmo que não nos lembremos como.

Escrevo isto para que não te esqueças. E talvez para que eu nunca me esqueça também. Mas é possível que aconteça.

Se acontecer, se a nossa vida deixar de ser nossa, espero que não apages a parte mais importante daquilo que vivemos. Espero que, mesmo que esqueças toda a nossa história, recordes o quanto foste feliz. Não precisas de te lembrar de mais nada.

Assim, e se não for para sempre, teremos a certeza que a memória nunca nos falhará para relembrar que um dia foi mesmo bom sentir que a felicidade passou por nós.

 

*texto da minha autoria.

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