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Um dia faço um blog

Ironias da vida.

Estão a ver aquelas tias solteironas que têm as suas mansões repletas de gatos que tratam fielmente como se de filhos se tratassem?

Bom, sempre olhei para elas com um certo ar de julgamento. Porque raio é que esta gente depositava o amor todo que não tinham em nenhum homem (ou então até tinham,mas não era correspondido) num animal cheio de pêlo e garras nas patas? Atenção que sempre gostei de gatinhos, e muito! Mas nunca compreendi esta paixão avassaladora e, na minha ideia, esta paixão era essencialmente característica da tia cinquentona que não arranjou homem mas que, para compensar, tem 15 gatos em casa para lhe aquecer os pés.

E mais: como era possível estas senhoras falarem dos feitos dos seus gatos, como por exemplo o dia em que o bichano tinha acabado de nascer e aprendeu logo a fazer os cócós na caixinha.

Ora, como a vida dá muitas voltas acabei por ter um gato cá em casa.

E que me caia um raio em cima se ele não é o lorde aqui da minha humilde casinha. Hoje dei por mim a miar para ele. A miar!!!

E pior: já dei por mim a começar frases do tipo "Não imaginas o que o gato fez hoje". Caramba claro que não imagina. Tal como ninguém está interessado em saber, mas eu conto na mesma.

Ora toma e embrulha!

Ironias da vida ou será apenas um sinal de que vou acabar com 50 anos, uma mansão gigante e 30 gatos a aquecer-me os pés em dias frios como os de hoje?

Sobre o massacre em Franca.

Quando era criança a minha mãe dizia-me que existiam pessoas más. Eu chamava-lhe má quando ela me obrigava a comer a sopa. Eu achava má a minha professora que me mandava muitos trabalhos de casa. Eu achava mau o meu pai que não me deixava ver televisão até tarde.

Estava longe de imaginar que a maldade que a minha mãe se referia era completamente diferente da minha realidade da altura. Afinal o mundo está repleto de tanta maldade. Mas maldade à seria. Daquela maldade que faz o nosso coração congelar e que nos faz temer. Que nos faz questionar a existência de Deus.

Ás vezes pergunto-me o que se passa com este mundo. Ou melhor: o que se passa com os habitantes deste mundo?

Esta notícia faz-me entender que, cada vez mais, as pessoas estão a tornar a Terra num planeta medíocre.

Custa-me a acreditar, é completamente impossível compreender ou aceitar que a realidade possa ser tão dura.

Como alguém consegue roubar tantas vidas e mexer desta forma com a lei natural do universo?

É preciso ter-se sangue frio.

O ser humano consegue ser tão cruel, tão bárbaro, tão violento.

Recuso-me a intitular estes indívudos de seres humanos. Recuso-me a olhar para eles como seres iguais. São tão desumanamente animalescos que mancham aquilo a que chamo humanidade.

Ser confrontada com esta realidade dói. Dói e faz-me questionar tanta coisa.

É neste tipo de alturas que gostaria de regressar aos meus tempos de criança. Regressar ao meu mundo pequenino. O meu mundo sem maldade. O meu mundo alheio à medriocridade de alguns adultos.