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Um dia faço um blog

Quando o "amor" leva alguém à morte.

Recentemente tomei conhecimento da morte de Maria Samora através do facebook da Operação Nariz Vermelho.

Não conhecia a Maria e, confesso, não prestei muita atenção ao anúncio da sua morte. Infelizmente a lei da vida é assim. Uns vivem, outros partem cedo demais. Uns morrem de causas naturais, outros de acidentes, outros acabam por, voluntariamente, acabar com a sua própria vida.

Bom, para quem não sabe a Maria era atriz e, ao que tudo indica, uma pessoa que vivia para fazer sorrir os outros. Era a doutora Tutti-Frutti e participava ativamente na operação nariz vermelho.

maria zamora.jpg

 Nestes últimos dias tenho encontrado algumas notícias que apontam para que a morte da Maria tenha sido suicídio. Claro que este tipo de notícias nos faz repensar na vida. Pensar como é que uma pessoa, aparentemente saudável a nível mental e de bem com a vida, se mata. Uma pessoa que vivia para dar vida aos outros, através dos sorrisos diários que arrancava a tantas crianças. Uma pessoa que, aparentemente, era amada pela família. Uma pessoa que tinha amigos.

Infelizmente as notícias de suicídios começam também a ser constantes. Por esse motivo é frequente ouvirmos que o fulano X se matou, pensarmos um pouco no assunto e depois continuarmos a nossa vida. Porque a vida é assim. A vida segue. Segue sempre. E nunca pára. A vida leva-nos a entrar num ritmo tão alucinante que às vezes não paramos para ver o que se passa à nossa volta.

Ao que tudo indica a Maria matou-se. Ao que tudo indica matou-se porque era perseguida pelo ex-namorado e era vítima de violência doméstica. Parece que a Maria sofria uma depressão que surgiu como consequência desta situação. E sabem o que custa? Sabem o que mexeu comigo, o que me fez chorar por dentro mesmo não conhecendo a Maria? É que ela pediu ajuda. Ela apresentou queixa à GNR.

No entanto esta pessoa acabou por se matar. Uma mulher de 40 anos que era adorada por tanta gente. Uma pessoa que dedicava parte da sua vida a ajudar tantas outras pessoas. Matou-se. Matou-se provavelmente porque o ex-namorado a levou ao limite. Li ainda que esse homem, se é que o podemos chamar de tal, a agredia, roubava e que a tentou matar com um lenço.

Alguém tem que acabar com isto. Alguém tem que dizer basta! Alguém tem que se chegar à frente, agarrar nestes filhos da mãe sem coração, metê-los num barco e lançá-los ao alto mar.

Isto revolta-me. Revolta-me mesmo. Porque pior do que morrer sem ajuda, é morrer sabendo que se tentou lutar contra o fim da vida mas que não lhe deram a mão. 

O ex-namorado da Maria matou-a. Matou-a e tem que pagar por isso. Não se pode deixar casos destes em branco. Quantas e quantas Marias estarão neste momento a travar uma luta idêntica? Quantas e quantas Marias perdem a luta mesmo pedindo ajuda? Não podemos deixar passar isto em branco. Casos destes têm que ser partilhados, falados, discutidos até à exaustão. Não podemos deixar estas bestas continuarem a vencer. Não podemos deixar que tantas vidas se percam. Não podemos mesmo.

maria zamora 2.jpg

Então e as obras dos teus vizinhos?

Um terror, senhores. Um terror!

Acordo com o pior despertador da história da humanidade: o barulho do martelo eléctrico.

O barulho perdura todo o santo dia. Desde que o sol nasce até se pôr.

É impossível alguém se concentrar sequer para ouvir os próprios pensamentos.

Como se tudo isso não bastasse, juntou-se à festa do prédio do lado. Adivinhem? Também está em obras.

Sinceramente começo a acreditar que isto pode levar uma pessoa à loucura. O meu desespero é tanto que chego a inventar coisas para fazer na rua.

Eu compreendo que as pessoas têm que trabalhar, claro que sim. Compreendo que não é possível remodelar um prédio sem barulho. Tudo muito bem.

Mas é impossível alguém ter condições mínimas de habitação enquanto isto dura. Estava capaz de acampar em qualquer parque de campismo até ao fim destes longos dois meses que ainda agora estão a começar.

O prédio treme. O barulho é ensurdecedor. O pó invade todos os apartamentos.

Que nervos!

Que merda, pá!!