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Um dia faço um blog

O dia em que me despedi no dia seguinte a ter começado a trabalhar.

Ora bem, comecei a trabalhar na terça-feira. Despedi-me na quarta-feira depois de almoço (sim, o detalhe de ser depois de almoço é importante...que sou pessoa que gosta de tomar estas decisões de barriguinha cheia).

E porquê? Então vejam lá bem, fui contratada para trabalhar numa loja de acessórios. Gosto de tudo o que está relacionado com moda e sempre tive a panca de querer trabalhar numa loja. Sempre fugi a sete pés de lojas como zaras, mangos e afins, até porque aquela música sempre altíssima é um atentado para as coitadas das colaboradoras. Além disso, são lojas com muito movimento e não queria entrar nesse tipo de ambiente. Fugi a nível de querer trabalhar lá, obviamente...Até porque sou pessoa de ir lá várias vezes abastecer-me de bugiganga.

Estava eu a explicar, fui escolhida para ficar numa loja de acessórios bem localizada. Ficava a menos de 5 minutos a pé de minha casa e era relativamente calma. Não tencionava ficar por muito tempo (tal como referi à gerente da loja) e portanto seria um trabalho mais de verão do que outra coisa mais séria.

Confesso que no dia da entrevista não tomei atenção a todos os detalhes acerca da proposta (culpa minha, eu sei), mas durante o primeiro dia fui tentando obter algumas informações.

Na terça-feira a gerente da loja deu-me a formação e explicou-me como funcionavam as coisas. Estava tão concentrada a tentar aprender o que ela me dizia que acabei por me esquecer de perguntar algumas das coisas mais importantes. Neste dia ainda não tinha assinado contrato, até porque o contrato seria assinado após o segundo dia de formação na presença do dono da loja.

Chegada a quarta-feira, continuei empenhada em entender o que a mulher me ia explicando. A certa altura ela pergunta-me qualquer coisa sobre a folga da semana e eu aí aproveitei para saber tudo o que precisava.

Então afinal de contas, o contrato seria o seguinte:

 

  • Trabalhar das 10h às 19h30 com 1h de almoço de Segunda a Sábado. Ou seja, 8h30 por dia. 6 dias por semana.
  • ÚNICA folga ao Domingo.
  • Ordenado: 505€ (salário mínimo).

 

Vi logo que havia ali trafulhice. Então se um full-time são 40h semanais, como raio seria possível só ter uma folga por semana? E além de tudo isto, trabalhar mais meia hora por dia do que o suposto? Ah, e por 505€ ?

Obviamente que quando ela me disse torci logo o nariz e disse-lhe que achava muito estranho esse tipo de contrato. Ela discordou. Disse que era perfeitamente normal dentro da área do comércio. Ainda perguntei se todas essas horas extra seriam pagas ou descontadas em dias e ela disse, quase ofendida com a pergunta, que obviamente que não.

Entretanto fui almoçar e aproveitar para tirar as teimas. Liguei para a autoridade das condições de trabalho e questionei-os relativamente ao que se estava a passar. Do outro lado do telefone confirmaram-me o que já previa: aquele tipo de contrato não era possível, sendo por isso ilegal passar por cima das horas obrigatórias de descanso que estão previstas na lei e muito menos pelo valor apresentado.

Passada a hora de almoço, e já com a confirmação da história do contrato, decidi dizer à gerente da loja que não queria continuar a trabalhar naquelas condições. Ela disse-me que compreendia mas que devia pensar que há gente a trabalhar em condições muito piores e que devia ficar grata, até porque há meninos em África a trabalhar de borla. Além disso ainda disse que não me posso armar em esquisita, até porque já tinham trabalhado ali muitas jovens que comeram e calaram. Oi?! Aí é que me saltou a tampa. Exigi falar com o patrão (ao que ela me negou) e disse-lhe que o que se passava ali era completamente ilegal.

A gerente da loja, mal me ouviu falar na palavra ilegal, imediatamente me disse que se fosse apresentar queixa não tinha como provar. Respondi-lhe que sim, que era possível provar através dos contratos das colaboradoras passadas ou então da próxima funcionária. Com uma lata descomunal ainda me disse que não tinha nada a ver com os contratos dos outros, como quem diz para me meter na minha vida.

Obviamente que vou denunciar a loja. Sou da opinião que as pessoas que aceitam estas condições são as verdadeiras responsáveis para que as empresas usem e abusem dos colaboradores. Eu queria ver se ninguém aceitasse trabalhar muito e receber pouco, o que é que as empresas faziam sem empregados.

Podem até dizer que me armei em esquisita, que muita gente dava tudo por ter um trabalho onde recebesse 500 euros por mês e que há muita gente com necessidades que nem imagino. Podem dizer que há gente que não se importa de viver para trabalhar, em vez de trabalhar para viver. Podem dizer tudo isso, mas eu recuso-me a aceitar este tipo de condições laborais.

Sou jovem e acho que nos compete a nós lutar por um futuro com melhores condições de trabalho. Se houver gente que continua a aceitar este tipo de contratos (e piores) em vez de denunciar, então cada vez isto vai piorar mais!

Denunciem sempre estes casos, é mesmo importante. Se há empresas que se dignam a fazer este tipo de contratos, é porque há pessoas que se submetem a estas condições. E quantas mais pessoas existirem a aceitar isto, mais margem de manobra os que contratam têm para abusar dos colaboradores. E nós não queremos isso, pois não? Então vá, vamos lutar contra isso sim? A senhora da loja diz que penso que vou mudar o mundo com esta minha forma de pensar. É obvio que não penso que vou mudar o mundo, mas não vou contribuir para que ele se mantenha desta forma.

Vamos todos ajudar a senhora a livrar-se do homem, pode ser?

Há coisas que se encontram pela internet que são tão fascinantes que fica impossível deixar de partilhar.

Vejam lá bem o drama desta senhora que está enervadíssima.

homem.jpg

 

Portanto, face ao problema apresentado, é imperativo que todas nós nos juntemos em nome da sanidade mental desta senhora que obviamente está em vias de desespero e precisa de um conselho.

 

Caso já tenham passado os 15 dias úteis de troca, o motivo de devolução não for defeito de fabrico ou se já tiver perdido o talão da garantia, lá teremos que arranjar outras soluções.

Eu sugiro meter o homem à venda no OLX. Aqui é capaz de lhe render uns trocos, caso o dito senhor seja dotado de alguma capacidade em especial. Caso seja um panhonha andante, a coisa fica mais complicada. Mas não é caso para dramatizar. Em vez de vender, pode sempre dá-lo. Algo como "Dá-se homem com X anos de uso. É obediente e mostrou ser um verdadeiro pau mandado. Não se aceitam devoluções".

Caso isto não resulte, tem sempre a opção de o mandar para a mãe. O que é chato, porque a sua quase ex-sogra deve ter feito uma festa quando percebeu que despachou o rebento para outros arraiais, e é capaz de não achar muita piada. Além disto, corre ainda o risco do senhor lhe continuar a bater à porta a apelar ao amor que nunca sentiu já não sente por ele.

Ou então, pode sempre dizer que é lésbica e aquela relação foi apenas um embuste para disfarçar o seu verdadeiro eu.

Se ainda assim nenhum destes conselhos lhe for útil, esqueça o homem e vá tirar novamente a 4ª classe. É que esse português está pela hora da morte e parece-me que esse pequeno problema é bem mais bicudo e sério do que o "ajuntamento" de que se quer livrar.

 

Se alguma alma caridosa tiver mais alguma ideia, é favor de dizer que aposto que esta mulher ficará eternamente grata.