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Um dia faço um blog

As casas em Lisboa não são caras...

Vocês é que não sabem procurar. 

Esta casinha, por exemplo, é um T0 com 15 metros quadrados e pode ser vossa por 650€/mês. 

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As torneiras têm petróleo, há diamantes espalhados em baixo da mesa e têm putas na cama.

 

Querem melhor? 

 

Se calhar esquecíamos esta mania das grandezas, desta ideia quase descabida de querer uma casa, e podíamos contentar-nos com um quartinho, não? 

 

Este quarto, por exemplo, fica numa casa que aglomera um total de 21 quartos e pode ser vosso por 750€/mês. Fica no Martim Moniz

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Se o cheiro a caril não é a vossa cena e vos irrita tropeçar em turistas de calções em pleno Inverno, podemos esquecer o Martim Moniz e alugar um quartinho ali em Algés:

 

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Vá lá malta, não sejam esquisitos.

Em relação ao pouco espaço? É certo que provavelmente vão dormir com os pezinhos de fora mas convém ressalvar que em contrapartida o anúncio refere que o senhorio vos permite ter o privilégio de lavar a roupa uma vez por semana. É vosso, basta quererem. 250€ e não se fala mais nisso.

Querem mais exemplos? A sério, eu voluntario-me para vos ajudar! 

Vamos acabar com a merda da conversa dos preços absurdos das casas, por favor? Não sejam plebeus.

Eu espero.

Então eu espero.

Espero pela paz que prometeram não tardar. Espero pelo caminho que disseram ser agora mais claro e fácil. 

Espero que não me encontrem. Não agora. Não assim. 

Espero conseguir guardar as palavras para mim. Por uma vez. 

Guardo o coração no bolso e sigo. 

Elogiam-me a força e a coragem. 

Sorrio e agradeço. 

Continuo a esperar que não me encontrem.

Recuso, educadamente, a pressa que todos parecem ter em mostrar-me novos caminhos. Finjo que os sigo. Espero que não percebam que volto constantemente ao sítio onde comecei.

Peço que não se aproximem. Que me deixem estar. Eu não tenho pressa.

Talvez me assuste a possibilidade de voltar a sentir-me em paz.

Talvez me assustem as pessoas que insistem em ficar. Porque é que ficam? Não se aproximem.

Irrita-me a maneira como me tentam decifrar. 

Eu não quero que me oiçam porque não sabem escutar sem julgar.

Não quero que me vejam frágil porque rapidamente se desacreditam da minha força.

Não quero que me tentem amar para além do amor porque vão encontrar um coração dividido e incapaz.

Eu voltarei sempre ao ponto de partida quantas vezes forem possíveis. Talvez porque lá me ouvem sem me julgar. Talvez porque é a única maneira que tenho de me mostrar frágil sem comprometer a minha força. Talvez porque o meu coração continue lá. Talvez seja um caminho que me rouba a paz mas que me dá conforto. Talvez seja o único caminho onde me foi permitido seguir os meus próprios passos. Talvez porque continuo sem pressa. 

Deixem-me esperar.

Novamente sem filtros - 3 anos depois.

Caríssimos,

 

E se eu tivesse que refazer o meu primeiro post, quase três anos depois?

 

Primeiro ponto: continuo jovem, já não sou universitária.

Segundo ponto: estou ligeiramente incrédula comigo mesma por estar a escrever aqui, tanto tempo depois.

A sério que os blogues ainda existem?

Continuo a não ter paciência para me maquilhar todos os dias.

A minha vida continua a ser o resultado da minha personalidade trapalhona.  

Continuo lamechas.

Voltei a acreditar no amor. E a desacreditar. It's a trap! Já não me rio mais disso. A sério. Não tem assim tanta piada.

O meu dia favorito continua a ser a segunda-feira.

Continuo a andar descalça sempre que posso.

O meu refúgio continua a ser a escrita.

Deixei de dizer que não me arrependo de nada.

O café continua a saber-me tão bem como um abraço.

Continuo sem conhecer a pessoa a quem confiarei o maior segredo da minha vida. Continuo a ter a certeza que essa pessoa vai aparecer.

Continuo a ser uma pessoa indecisa. Cada vez mais.

Estou cada vez menos certa daquilo que quero mas com cada vez mais certezas da mulher em que me tornei. 

E não é que finalmente consegui livrar-me dos transportes públicos?

O meu prato favorito mudou!

Perdi amizades. Arrependo-me. 

Continuo a não gostar de cozinhar.

Deixei de ter problemas com os vizinhos. Mudei de casa. Duas vezes.

Continuo a amar olhos pretos.

Deixei de gastar tanto dinheiro na zara.

Continuo a não querer casar.

Chorei pela primeira vez a ver um filme. Foi há uma semana. Apercebi-me que é o filme da minha vida.

Mantém-se a minha inércia nos fins de semana.

Mantém-se igualmente a minha fraca capacidade de passar mais do que o estritamente necessário dentro de um centro comercial.

Continuo a julgar as pessoas pelos erros ortográficos que dão. É mais forte do que eu.

Deixei de ler blogues, shame on me.

 

No fundo, continuo tudo mais ou menos igual...Não é mesmo?